Meu marido queria que eu abortasse

Sou A..., tenho 37 anos, sou de C... - África Ocidental, venho respeitosamente expor o meu problema e solicitar o vosso apoio. Passei 10 anos com um homem; namorávamos e vivíamos em casas separadas. Trabalhamos na mesma empresa. Quando começamos a namorar ele estava separado. Ao separar-se da esposa, ele aproximou-se de mim, me procurava e eu pedia para ele se afastar porque tinha 26 anos e não queria problemas com um homem que ainda estava casado. Dava-lhe conselhos para voltar, porque sofria por causa dos dois filhos. Quando me dei conta estava envolvida e chorei muito. A minha família nunca gostou dele e tive que afastar um pouco porque estava "cega". Os problemas que eram dele passaram a ser meus, a mulher telefonava todos os dias para a minha casa e pedia para ele resolver a situação que estava péssima.

Quase dois anos depois fiquei grávida. Ao participar-lhe da gravidez ele mandou-me abortar e eu, que sou pela vida, fiquei desesperada e pedi para ele me esquecer e desaparecer da minha vida. Fiquei decepcionada e desiludida, pois antes ele era tudo para mim, queria sempre ficar comigo. No dia seguinte ele me abraçou e pediu perdão e disse que um filho é muito importante na vida. Nunca mais confiei nele.

Mesmo grávida, fiquei a saber que a mulher e os filhos, que tinham mudado para outra cidade e lá estavam há mais de um ano, vinham para a casa dele. Ele disse que os filhos vinham visitá-lo, mas não acreditei. A vida dele passou a ser um mar de mentiras e começamos a ter problemas. Durante a gravidez, suportei muitas coisas, recebia cartas anônimas e fiquei tão angustiada que o meu filho nasceu de 8 meses porque tive pré eclampsia.

Quando o meu filho nasceu saiu o divórcio dele.

Várias vezes tive chance de refazer a minha vida com outros homens. Quando estava grávida, o meu primeiro namorado me pediu em casamento e quando o meu filho tinha um ano um homem que é apaixonado por mim queria casar comigo, mas eu não aceitei porque queria ficar com o pai do meu filho e sempre acreditei que melhorasse.

Em nome do amor já perdoei várias traições, me humilhei, sofri muito e deixei morrer os meus sonhos de mulher. Ele deixou de sair comigo e passou a sair todos os fins de semana com outras mulheres. Uma vez me disse que não arranjou mulher para estar na rua.

Ele construiu uma casa e morou, depois fez outra e mudou, e nunca fiz parte dos planos dele. Uma vez ele me disse que queria que eu fosse a casa dele que levasse uma roupa, depois outra e que acabasse por lá ficar. Respondi que não sou criança e que se algum dia tiver que morar com alguém será planejado. É uma pessoa que gosta de ter casas, carro novo e dinheiro no banco e para mim a vida tem outras coisas mais importantes.

No ano 2002 fiquei de novo grávida e o meu desespero foi maior. Parecia repetição de um filme de terror. Quando dei a notícia ele me perguntou se tencionava levar a gravidez para frente. Pensei coisas ruins, queria morrer do que abortar um filho. Pedi para ele me esquecer e desaparecer da minha vida que o meu filho nasceria sem pai. Tenho uma situação financeira estável e conseguiria criar os meus filhos. O silêncio dele me angustiou e aparecia todos os dias em minha casa, mas não tocava no assunto. Chorava todos os dias que até o meu filho me viu, ficou a saber e ficou revoltado com ele. No mês de junho perdi a criança, quando vi que corria perigo de aborto tentei de tudo para salvar a vida que estava dentro de mim, mas foi impossível. Estou sofrendo com isso.

Estive no hospital e ele não me deu apoio e quando recuperei disse-lhe que não tinha mais condições psicológicas de continuar e que não merecia uma mulher como eu. Ele me acusou de ter engravidado de propósito e de ter sido fraca. Fiquei mais revoltada e queria matá-lo, pois ele sabia que não queria engravidar e o avisei que corria perigo. Ele nunca parou de me procurar e no início de dezembro fraquejei e chorei porque sei que ele é sinônimo de infelicidade para mim.

Na semana passada, eu o vi com outra mulher e fiquei normal e ele disse a uma amiga que não briguei e que já não quero saber dele. Foi à minha casa como se nada tivesse acontecido. Deixei de o respeitar como pai do meu filho e como ser humano. Ele é egoísta, cínico, perverso, não é feliz e é incapaz de fazer os outros felizes.

Os melhores amigos já se afastaram dele porque descobriram o tipo de pessoa que é. Há outros que pedem para eu voltar, mas não quero porque sei o que passei.

Sempre fui uma pessoa equilibrada, alegre e de bom senso, mas ele conseguiu tirar o sorriso do meu rosto.

Já pensei em coisas péssimas para ele me deixar em paz, diz a todos que estamos bem, não deixa alguém se aproximar de mim e todos os dias vai a minha casa ou telefona. Até da minha casa que estou a construir ele dá opinião e vai lá ver como vão as obras.

No dia 31/12 ele me ofereceu uma rosa vermelha e fiquei irritada e a joguei no lixo, pois achei que estava a zombar de mim. Para não cair em desgraça, solicito e agradeço o vosso conselho e que me ajudem a iluminar o meu caminho.

O meu filho que tem 8 anos disse que quer ter uma família em 2003 e que me deseja um marido que me faça feliz.

Não sei mais se quero homem na minha vida, sofri muito nesses anos e a minha decepção foi grande. Grata pela vossa atenção e votos de feliz Ano Novo.


Lemos com muito pesar o seu e-mail. Ficamos tristes pelos sofrimentos pelos quais passou e está passando. Tudo que nos acontece na vida é fruto do nosso livre-arbítrio. Há muito você conhece o caráter do homem que deveria ser seu marido e ampará-la em todas as situações que você nos descreveu. Tudo indica que ele sempre procurou em você o prazer material, os gozos do corpo físico. É possível que você soubesse disso desde o começo, diante da incontestável e admirável faculdade intuitiva da mulher. Mas, deixou as coisas acontecerem...

O passado é o passado, não deve ser lamentado, deve servir apenas como repositório de experiências vividas que nos ensinam e ajudam a construir nosso caráter. Esqueça-se, de uma vez por todas, desse homem que a fez sofrer tanto. Não permita que ele a visite mais, pois, tudo indica que as chances de ele mudar são mínimas.

Por outro lado, você merece ter um lar sob cujo teto vai acabar de crescer o seu filhinho. Se surgir em sua vida um homem de moral elevada, que lhe demonstre respeito, compreenda e aceite a situação em que se encontra, dedique carinho a você e a seu filho, não hesite em dar-lhe uma oportunidade. Estes são os nossos pareceres. Cabe à você acionar o seu raciocínio e usar o seu livre-arbítrio.

Agradecemos seus votos de um feliz 2003 e lhe desejamos o mesmo.

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