Estou contribuindo 
para a obsessão do filho.

Já estou há muito tempo lendo as obras da Doutrina, principalmente após a desencarnação de meu pai, que vai para nove meses. Mesmo compreendendo um pouco sobre a desencarnação do espírito, muita coisa ainda não aceito. Meu filhinho me cobra muito a presença do avô. Já expliquei que o vovô teve que ir com o papai do céu e que um dia iremos ter com ele e haverá um reencontro, mas nem eu estou certa disso. O que compreendo é que ao desencarnar o espírito tem o dever de ascender ao mundo espiritual, e lá haver-se com sua consciência e preparar uma nova encarnação. Não contesto, mas como saldar essa saudade sem a esperança de um reencontro? E não sei como explicar a meu filho, se eu mesma não aceito o modo de evolução. Acho que o sentimento acaba ficando em último lugar e quem fica não dá para aceitar simplesmente que ele se foi e acabou, compreender que de agora em diante ele terá a sua trajetória isolando-se de nós. Acabo ficando até triste por meu pai, ele que era tão apegado a esse neto! Meu filho toda noite pede ao papai do céu para sonhar com o vovô, pois eu disse a ele que era a única forma de ele rever o avô em sonho. E me pergunto por que ele não aparece no sonho do neto pelo menos para amenizar o seu coração? Eu mesma não estou agüentando a tantas perguntas de meu filho; quando estou com os pensamentos em outras coisas lá vem o pequeno perguntar do vovô e isso já dura quase nove meses, desde que ele desencarnou.


É natural que seu filho viva a lhe fazer perguntas sobre o avô. Tudo indica que é você mesma quem alimenta esses sentimentos em seu filho, alongando as conversas que dizem respeito ao avô.

Em que obra racionalista cristã você leu que ao desencarnar as pessoas vão ter com um "papai do céu"? O que é que vai imaginar o seu filho ao ouvir uma coisa dessas? Vai criar em sua mente inocente a figura de um ser humano, com cabeça, barbas, etc., que o estará recebendo quando morrer. É nisso que você quer que ele acredite?

Como seu filho adorava o avô, quando você lhe diz que vão se juntar após a morte, estará despertando no seu filho o desejo inconsciente de morrer, expondo-o a um grande perigo. É isso que você deseja?

Por que estar-lhe dizendo que deve pedir ao "pai do céu" para que sonhe com o avô? Desta forma você estará expondo o seu filho a uma forte perturbação psíquica, se é que já não começou. É isso que você quer?

Certamente não é nada disso que você quer. Você deixa transparecer em suas mensagens ser uma mãe carinhosa e preocupada com o bem estar do seu filho. As preocupações são naturais, mas nunca podem ser exageradas. Em sua casa deve sempre prevalecer a alegria de viver e o desejo de progresso, pois são destes sentimentos que vêm as forças que nos tornam vitoriosos em todos nossos empreendimentos.

Ao encarnar, o seu filho veio cheio de vontade de ter uma encarnação proveitosa. Para isso, confia em si mesmo e espera receber dos pais orientação segura, o que infelizmente muitas crianças não têm a felicidade de ter.

Desta forma, ao se referir ao avô, você não deve se alongar no tema. No fundo de sua alma, a criança não está muito interessada nele. Se o assunto se estende é porque você mesma contribui para isso. Quando seu filho se lembrar do avô, apenas lhe diga que ele não está mais entre nós e que não vão mais vê-lo, e procure mudar de assunto falando dos seus amiguinhos na escola (se é que está no pré), ou dos amiguinhos da redondeza, das tias, tios, primos, primas, enfim de pessoas de quem ele gosta E QUE ESTEJAM VIVAS. Verá como seu filho vai acompanhar com interesse o novo tema da conversa. Nada de "papai do céu", reencontros e sonhos. Seu filho quer crescer com mente sadia e não povoada com ilusões e coisas inúteis. Lembre-se: ele confia em você.

Recomendamos a leitura dos livros A morte não interrompe a vida e A felicidade existe. Deste último, dos capítulos "As mães" e "Os filhos", em particular. Estes livros estão disponíveis graciosamente nos sites do Racionalismo Cristão. 

 

De "Obsessão do filho" para a página desta seção

Copyright©2005 racionalismo-cristao.org.br. All Rights Reserved