Acho que posso mudar o mundo

Bem, vou dizer realmente o que eu sinto. Tenho comigo algo que me perturba, não que seja ruim, mas que não há como controlar e evitar, mesmo que eu não saiba o que é, sinto que chegou a hora da mudança do mundo, e que isso possa vir de mim, não sei como, mas sei o que fazer e como fazer para isso acontecer. Claro que isto ainda não está esclarecido, idéias me vêm na mente como eletricidade (constante), nunca se acaba. Quando vejo uma situação como a que vi hoje, um rapaz de boa aparência catando papel como se fosse a coisa mais natural e ao seu lado passava um outro rapaz, quase da mesma idade, também de boa aparência, e sua reação quanto ao rapaz que colhia o papel foi como se estivesse passando ao lado de uma árvore. Sabia que ele estava ali, mas não havia motivo para olhar, e aquilo me produziu uma reação que normalmente nunca acontece comigo e é inexplicável, mas se parece mais ou menos com isto, entra em minhas veias uma raiva misturada com amor e com todos os outros sentimentos me sobe no coração aonde explode feito um vulcão. E assim permaneço durante um bom tempo, e quando chega próximo ao fim, parece que em minhas veias bilhões de volts com intensidade constante, e por conseqüência disto em minha mente vêm soluções e idéias para solucionar este problema.


Entendemos sua reação emotiva ao que observa ao redor de si. Muito do que ocorre no planeta Terra desperta em nós indignação e um profundo desejo de ajudar a mudar e a melhorar o mundo.

Esse sentimento é positivo e leva-nos a planejar nossas ações de modo a ajudar a humanidade. É isso que motiva muitas pessoas a serem médicos, professores, ou a escolher uma profissão que esteja voltada para uma ação efetiva de ajuda à humanidade.

Mas, lembre-se, "explodir feito um vulcão" ou ter reações que não pode controlar, ou alimentar sentimentos de raiva e impotência acaba por ser uma atitude destrutiva, pois não leva a nada. Só faz com que percamos a capacidade de pensar e analisar racionalmente o fato. E é só com reflexão e serenidade que podemos programar uma ação voltada para benefício dos outros.

Você diz que vêm à sua mente "idéias para solucionar este problema". Pois então, submeta essas "idéias" ao raciocínio lógico. Veja até que ponto são realizáveis e do que você precisa concretamente para colocá-las em prática.

Entretanto, precisamos pensar com cuidado naquilo que está ao nosso alcance realizar. Você já leu nas obras do Racionalismo Cristão que no planeta Terra encarnam espíritos em diferentes estágios de evolução, porque nosso mundo é um mundo-escola. Cada um pode realizar, no estágio em que se encontra, as tarefas que se propôs a cumprir e que está ao seu alcance. Você não vai exigir de um garoto que está nos seus anos iniciais da escola que resolva uma equação de segundo grau, ou que explique a Revolução Francesa, ou que saiba se expressar bem em sua língua materna e em mais duas línguas estrangeiras, ou que tenha lido Machado de Assis, Shakespeare, Platão etc. etc., não é mesmo?

É utopia pensar que uma pessoa pode mudar a humanidade. Aliás, ninguém muda ninguém. O que podemos é, em primeiro lugar, mudar a nós mesmos de modo a nos tornarmos úteis ao constante movimento de mudança que ocorre no Universo. Lembre-se, a evolução universal se processa ininterruptamente, queiramos ou não queiramos. É uma das leis naturais a que se refere o Racionalismo Cristão. Cada um de nós vai criar as condições para que esse progresso seja mais rápido (ou mais lento).

São várias ações individuais que propiciam as mudanças. É esse sentimento que move milhares de racionalistas cristãos em suas ações cotidianas. Cada um deles é um instrumento eficaz de mudança e desempenha, no anonimato de suas vidas, um papel muito importante na melhoria das condições de vida do planeta Terra. (Você já leu o livro Prática do Racionalismo Cristão?)

A mudança se faz pela soma dos esforços individuais. Não há um indivíduo que possa realizar essa mudança por todos. Lembre-se de Cristo. Ele veio nos deixar ensinamentos que até hoje dão frutos, mas ainda há muito a mudar. Por quê? Por que Cristo não pode fazer por nós, nem ninguém pode, o que é de nossa responsabilidade.

Aquele rapaz que passou pelo outro sem se dar conta do problema vai ter que aprender em algum momento de sua trajetória evolutiva que deve olhar o outro como um irmão em essência. Aliás, todos nós precisamos aprender isso. Afinal, o rapaz, que você considerou insensível, também é nosso irmão em essência, não é mesmo?

Comecei a sentir isto quando conheci e comecei a estudar o Racionalismo Cristão, mais indo a fundo na memória vi que desde muito pequeno tenho isso comigo, mas de uma forma imatura, sem muitas perguntas e, claro, não ligava para isto, achava que era simplesmente raiva.

Em muitas ocasiões me sinto no direito de escolher certas coisas que me parecem certo mesmo que aquilo que esteja pensando não me pareça tão importante. Isso acaba me atrapalhando em questões simples como família. Às vezes perco a paciência muito rápido, e fico questionando depois por que? Faço de tudo para entrar no ritmo evolutivo mais correto, e isso me leva a mais reflexão e perguntas. Às vezes sinto como se fosse dominado pelo pensamento, coisas que muitas vezes me tiram realmente do eixo. Bem fora do eixo eu já me sinto, pois, na minha idade garotos como eu pensam em sair, se divertir, paquerar, ir a shows, shoppings, etc... Já eu não sou atraído por esse tipo de coisa; até gosto de ir, mas isso não me atrai definitivamente.


Vemos no que você relata uma coisa muito positiva: Você já percebeu que perder a paciência ou deixar-se dominar por pensamentos que o "tiram do eixo" não é nada bom. É preciso reagir a isso e refletir no que significa "ser dominado pelo pensamento". L..., somos nós que dominamos ou devemos dominar nossos pensamentos. Ser dominado por um pensamento significa que esses pensamentos estão vindo de fora. Releia os capítulos "O pensamento" e "A Obsessão", do livro Racionalismo Cristão, procurando entender bem cada palavra.

Certifique-se sempre de que quem está no comando do que você pensa é você mesmo. Isso é muito importante.

Lembre-se, também, de que sentir outras necessidades, além de se divertir com amigos (o que também é necessário e saudável), é um sentimento natural, comum a todas as pessoas que se propõem a entender a vida espiritual, dedicando-se aos estudos espiritualistas. A humanidade, em geral, limita-se a viver a vida material, esquecendo-se da espiritual, mas um racionalista cristão deve saber viver as duas vidas com harmonia. Ninguém vive só de matéria ou só de espírito.

O que mais me espanta, é essa vontade de querer ir para outro lugar, um lugar que eu possa aprender tudo na prática, vejo minha família como um obstáculo para isso, não que eu não goste deles, mais sinto que eles me atrapalham; não sei como, mas é uma coisa que não dá para explicar. Quero ajudar pessoas, mostrá-las o mundo como ele é, dar uma oportunidade igual a quem a vida deu caminho diferente, coisa deste tipo. Acho que isso definitivamente diz tudo o que realmente sinto, penso e aceito racionalmente, voluntária ou involuntariamente. Espero que a resposta não seja negativa. Obrigado amigos, espero respostas.

Não sabemos exatamente o que você está querendo dizer com "resposta não negativa" que espera de nós. Nossas respostas nunca têm o objetivo de aprovar ou desaprovar qualquer atitude de ninguém. No Racionalismo Cristão não se julgam as outras pessoas. O que pretendemos é explanar ensinamentos básicos da Doutrina. Entre esses está o seguinte: todos temos que ter consciência de que somos responsáveis pelas nossas decisões porque os resultados dessas decisões recaem sobre nós mesmos.

Você parece indeciso e parece-me que tem razão para se sentir assim, já que não apresenta planos claros e bem definidos do que quer fazer e de como pode realizar esses planos.

O que significa "essa vontade de querer ir para outro lugar, um lugar em que eu possa aprender tudo na prática"? Para nós não ficou nada claro. Nem vemos sentido no que você afirma, pois todos os lugares do planeta propiciam condições para "aprendermos tudo na prática". Afinal a "prática" é saber viver a vida com conhecimento do significado de cada ato que assumimos. É o que nos ensina o Racionalismo Cristão.

Talvez valesse a pena você reler a obra básica Racionalismo Cristão com bastante vagar, parando a cada parágrafo, pensando e procurando entender o alcance de cada afirmação. Lembre-se, essa é uma obra de estudo. A cada releitura descobrimos aspectos que não tínhamos observado anteriormente. A releitura constante das obras faz parte do aprendizado.

Você fala em partir. Partir para onde? Que lugar é esse tão privilegiado?

Partir para realizar planos indefinidos, parece-nos cortar pela raiz qualquer possibilidade de ser bem sucedido nesses planos. Lembre-se de que precisamos construir com objetividade qualquer projeto, fazendo uma lista do que pretendemos fazer e do que precisamos para concretizar cada fase do plano. Só depois disso você (só você!) pode decidir-se por um "sim" ou um "não".

O "sim" ou o "não" à cada decisão é escolha individual e intransferível. O acerto ou o erro serão resultados do acerto ou do erro das reflexões e análises dos prós e dos contras de cada escolha. O que podemos adiantar é que tomar alguma decisão em um momento de revolta ou de indignação não é aconselhável, já que é exatamente um momento em que perdemos a objetividade por termos nos envolvido emocionalmente e aberto, assim, o caminho para a ação do astral inferior.

Caso seus novos estudos tragam ainda dúvidas, sinta-se à vontade para trocar idéias conosco.

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