Às mães de menina-moça

Maria Cottas

Queixas-te de que tua filha mente, que te engana, que diz que vai para o colégio e não vai, que só gosta de grupos de rapazes e moças que não se recomendam, que é exigente e não te atende em nada. Deve, realmente, ser muito triste lidar com uma menina e moça assim.

Mas, vamos conversar:

Quando ela era menina, tu acompanhaste o seu desenvolvimento mental e físico com atenção? Tu deixaste que crescesse sem controle, sem a tua assistência de mãe zelosa, cuidadosa, e perspicaz? Por certo, não!

Dedicaste-te, com certeza, aos teus afazeres ou exclusivamente a atender ao teu marido e deixaste "largada", à vontade, a tua filha, ou a entregaste a alguma babá inescrupulosa, que não cuidou dela como devia cuidar uma mãe zelosa, como tu devias ser. Quem sabe, também, se fazias vida social intensa, e não te sobrava tempo para te dedicares a ela como devias?

Põe a mão na consciência, examina-a bem e encontrarás a causa dessa desagradável situação.

Avalio os choques que deves ter tido com tua filha por causa de sua conduta desrespeitosa! Choques que maltratam e doem, porque nenhuma mãe gosta de ser tratada com indiferentismo e arrogância pelos filhos.

E o pior de tudo é ver que ela mente. A mentira, minha amiga, é um perigo para toda gente e mormente para a mulher. Amanhã ela se casará e, mentindo, perderá a confiança do marido, o que será desastroso.

A mulher que mente tem que usar de múltiplos meios de persuasão e astúcia para alimentar a sua mentira. Torna-se falsa, hipócrita e dissimulada.

Avalia bem o que espera à tua filha!

Mas, quem sabe? Ainda é tempo de corrigir tudo isso.

Com quinze anos, se pode consertar muita falha de caráter. Acho bom tentares. Mas não à valentona, revoltada e indignada. Precisas, agora, chamá-la a ti com tato e cuidado. Fazer-lhe mais companhia. Procurar afastá-la das más amigas, que nessa idade influem consideravelmente na formação moral das moças. Isso, porém, deve ser feito com inteligência. Não falando mal nem criticando as suas amizades, mas afastando-as sem que ela perceba, e aproximando-a de outras mais agradáveis, cuja formação moral seja boa. Facilitar reuniões destas em tua própria casa, de preferência. Convém, também, que em vez de te mostrares uma mãe austera, severa demais, passes a ser a mãe camarada, amiga, que ouve, com atenção, as suas expansões e bobagens que toda moça conta, e até fingindo achar graça. Mais tarde, então, sem que ela perceba, desfarás algo que notaste de errado em suas expansões, mas nunca deixarás de ouvi-la ou cortarás asperamente aquilo que está contando. Porque, se não procederes assim, ela passará a te esconder tudo, não se expandirá mais e vai conversar com quem não deve, ficando assim completamente desarvorada.

E por quê? Porque não encontrou na mãe a amiga que ela precisava, com quem devia abrir-se e contar os seus segredos íntimos.

A severidade demais, agora que ela já está uma mocinha, é contra-indicada.

Sei porque te desesperas. É porque tua filha está criando problemas e preocupações com os quais não contavas e que toda a moça, nessa idade, dá às mães. Agora é que tua ação de mãe tem mais importância. É contigo que ela deve contar e não com estranhos. É de ti que ela precisa.

Sempre foste comodista, mas chegou a hora de por o teu comodismo de lado, já que o teu amor materno está se sentindo magoado e inquieto.

Ela já está em idade de te fazer companhia em passeios, visitas e compras; passa a levá-la contigo, em vez de a deixares em casa, à mercê de telefonemas ou entregue a leituras pouco recomendáveis. Fora das horas dos estudos, procura fazer com que ela tenha sempre o seu tempo ocupado em algo útil ou distrações em ambiente adequado à sua educação.

O isolamento e a indolência são maus conselheiros.

Procura agir, como te aconselho, e estou certa de que em breve me comunicarás que tua filha é outra menina. 


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