Elogios, certo ou errado?

Ely Ramos, Victor Medina, Silvia Urbani, Sebastião Parreira, Rose Monteiro,
Maria Cristina Silva Pereira, Janaina Ramos, Pedro Pomin, Antônio Gurjão Praxedes

Os elogios são enunciações que exprimem admiração, aprovação. Eles servem como estímulo e devem ser vistos como incentivo, ânimo, encorajamento, incitamento a todos que os recebem.

Pode ser dispensável dizer que um racionalista cristão não espera elogios por seus feitos, mas é indispensável acrescentar que em alguns casos, o elogio ou incentivo simboliza, essencialmente, um ato de reconhecimento, de educação, de gratidão de quem o emite para com aqueles que estejam agindo de forma correta e corajosa.

Recusar um elogio recebido com tamanha boa intenção só porque se é racionalista cristão é pura falta de educação e ingratidão, podendo até ofender e magoar, pois uma pessoa bem intencionada ao tecer um elogio deseja manifestar gratidão, incentivar uma boa ação, e não deve ser julgada ou desprezada por seu gesto de educação e gentileza.

Um racionalista cristão, ou seja, um ser esclarecido e de elevado nível espiritual sabe muito bem separar o joio do trigo e não confunde elogio educado e manifestado com gratidão e respeito por seu semelhante, com vaidade ou qualquer outro sentimento inferior. Ele sabe lidar, em todas as situações, com inteligência, sabedoria e grandeza espiritual. Não se permite envaidecer. Pelo contrário, sente nos ombros o peso da responsabilidade pelos seus atos e a importância de se comportar ainda melhor, por saber que pode servir de exemplo a ser seguido.

Quem elogia estimula e encoraja. Mas quem recebe um elogio precisa ter cuidado, para que o mesmo não o envaideça.

Elogio na hora certa é uma pitada de motivação. Quem o emite, o faz quase sempre com boas intenções; quem o recebe, precisa ser ponderado para não permitir que o elogio massageie exageradamente o seu ego, fato que pode causar efeito pouco desejado.

O elogio é benéfico quando dirigido a crianças, não só por ser bem aceito por elas como por produzir efeitos positivos na fase de descoberta e aprendizado, pois, a cada elogio recebido elas sentem-se animadas a repetir a boa ação que as fez merecer a palavra de atenção e estímulo e, assim, evoluem em suas atitudes.

O elogio pronunciado em público produz bons efeitos e serve como exemplo; já as reclamações, as puxadas de orelha, são de bom tom que sejam feitas em ambiente privado e em tom educado, respeitoso, para não repercutir de maneira negativa. Lembre-se: a intenção é premiar o bom comportamento e não desmoralizar, achincalhar ou provar a incompetência do interlocutor, seja uma criança ou um adulto.

O elogio pode diminuir os efeitos negativos de uma reclamação sobre o cometimento de um ato indesejável: quando se deseja reclamar, protestar por um mal feito deve se fazer em particular, respeitando a dignidade da outra parte. Destacar pontos positivos nesse momento ajuda a diluir efeitos negativos e projetar uma motivação para o bem.

O elogio, por ser motivador, deverá ter nas entrelinhas mensagem, indicando que a pessoa pode ir mais longe. É preciso que a pessoa tenha a sensação de que está no caminho certo, mas que precisa andar mais, para chegar ao destino.

O ideal seria que as pessoas, racionalistas cristãs ou não, não precisassem de elogios para realizar suas obrigações. Contudo, não há como negar o fator motivacional de ter seu trabalho reconhecido.

Devemos agradecer os elogios e entender que eles servem como incentivo, assim como as críticas muitas vezes também o são.

Os elogios podem alimentar a vaidade e esta, por consequência, pode nos cegar para o que ainda precisa ser feito. Por isso, quando sentimos que é sincero, deixa até de ser um elogio, transformando-se numa constatação. Torna-se positivo, pela sinceridade com que a pessoa oferta a sua opinião sobre nós.

Quanto ao lado negativo, obviamente, sentimos o contrário. Não sentimos a pessoa verdadeira e percebemos que o seu elogio é só para nos bajular.

Ele é bem-vindo quando nos esforçamos para elaborar algum projeto ou algum trabalho em que tivemos que nos esforçar muito para realizar.

Quando ao término desse empreendimento temos reconhecida a nossa força de vontade e determinação, aí o elogio, que é a constatação do nosso acerto, é bem-vindo, sem dúvida. Agora, não o será, quando percebemos que não o merecemos e, muitas das vezes, o mérito é de algum colaborador anônimo, que pelas circunstâncias ou hierarquia precisa ficar no ostracismo.

O racionalista cristão não deve esperar elogios (enfocando a parte espiritual), porque ele sabe que deve exercitar a humildade, o altruísmo, o amor ao próximo, enfim, fazer o bem sem esperar retorno ou gratidão. Mas isso não nos isenta da importância de sermos gratos a todos, sempre!

O esforço tem que ser constante, pois somos imperfeitos e estamos evoluindo neste mundo escola, mas com os pensamentos em ação, assistidos pelo Astral Superior, só temos que nos conduzir de acordo com os nossos preceitos.

O elogio sendo sincero e verdadeiro, dependendo da situação, também se torna um incentivo, como já dissemos. Quem não se sente realizado ao ser reconhecido pelo seu valor e esforço? Principalmente, nas relações familiares, entre pais e filhos, elogiar um feito que requereu esforço e determinação só irá incentivar, para que progrida cada vez mais nas propostas futuras.

Ao recebermos um elogio que sabemos merecido, devemos aceitá-lo com humildade, sem vaidade, e a nossa atitude espiritualista nos alerta para o fato de que as pessoas percebam que todos podem conquistar vitórias e méritos. É só pôr em prática a força de vontade, a determinação e os pensamentos voltados para o bem, que conquistaremos a felicidade relativa, tão necessária à evolução espiritual.

Acreditamos que o elogio, quando sincero, é sempre positivo, porque proporciona um incentivo à pessoa, para que melhore cada vez mais, principalmente quando dirigido aos filhos. Negativo é exagerar na dose e elogiar por qualquer coisa.

O elogio é sempre bem-vindo para quem o recebe e é, às vezes, até manifestação de gratidão, como vemos frequentemente no jornal A Razão, que tece elogiosos comentários a espíritos do Astral Superior quando em vida. Vemos nesses elogios o reconhecimento a quem trabalhou pelo crescimento da Doutrina e pela sua própria evolução espiritual!

Isso não quer dizer que houve a intenção de realizar feitos, esperando elogios. Cabe-nos cumprir o nosso dever, e ponto. Porém, ao receber elogios ficamos felizes, sim! Pois o fato de ser racionalistas cristãos não nos exime das reações humanas e, como tal, é natural que nos alegremos ao receber uma palavra ou um ato de gratidão, que pode embutir um elogio sincero.

O elogio é uma manifestação de gratidão, um reconhecimento do valor de um feito. Incentivar é mostrar que a pessoa pode continuar e fazer mais e melhor. Pode conseguir algo que deseja ser ou até a saúde que esteja em baixa. O incentivo compreende palavras positivas que demonstram sinceridade e esperança.

Elogiar com sinceridade é correto e é educado também, pois mostramos que prestamos atenção nos atos daquela pessoa e que nos propomos a incentivá-la. Do mesmo modo, quando recebemos um elogio devemos refletir se foi realmente merecido, nos mostrar intimamente agradecidos a quem nos elogiou. Sentir alegria por ter cumprido um dever ou feito algo bom, embora com parcimônia e humildade. Não devemos recusar um elogio, nem achar que não o merecemos. Isso é falta de estima. Não esperar louros é uma coisa; ficar feliz ao recebê-lo é outra. Na verdade, o elogio em si não tem nada de errado. Nós é que, muitas vezes, não aprendemos a usufrui-lo do jeito certo, com a devida simplicidade.

Por outro lado, disparamos elogios o tempo todo, em casa, na escola e no trabalho sem pensar nas consequências. Elogiar é supernatural, um hábito comum às pessoas bem intencionadas. Devemos, no entanto, ter em mente que o lado positivo do elogio reside na sinceridade, na verdade da intenção. Já o lado negativo é o exagero e a falsidade que pode estar escondida no louvor.

Elogiar é uma prática bem-vinda quando estiver amparada na sinceridade e for pronunciado na hora e no lugar certo. Contrariamente, não o será quando se fizer desnecessário ou quando for lançado com segundas intenções ou fora de propósito.

Diante do exposto, concluímos que, por ser esclarecido, um praticante do Racionalismo Cristão, normalmente, não espera elogios ao executar boas ações, pois confia em si mesmo e se apoia nos eflúvios que emanam das Forças Superiores, reconhecendo, por cultivar bons princípios, quando é merecedor e sabe que, embora dispensáveis, elogios não farão nenhum mal quando bem intencionados.

Elogiar é prova de boa educação e é elegante, quando se trata de merecimento, na acepção da verdade. Por exemplo, é muito bem-vindo, quando direcionado ao empregado ou colaborador que se esforça para executar uma tarefa difícil, muitas vezes além de sua capacidade ou de seus deveres.

Assim como a ingratidão pode derrubar emocionalmente um ser despreparado, a palavra elogiosa fortalece e eleva a estima de alguém que necessite de estímulo, servindo como um salutar empurrãozinho, para elevar ou para dar a certeza de que está no caminho certo. Assim, uma pessoa com baixa autoestima provavelmente conseguirá superar essa dificuldade, a partir do reconhecimento de uma atitude positiva, reforçada por um elogio.

Ao contrário, se o indivíduo é vaidoso ou orgulhoso ao extremo, um elogio pode deixá-lo cheio de si, afastando-o ainda mais do seu ponto de equilíbrio.

Diante desses aspectos racionais, o racionalista cristão sabe que sua conduta deve se pautar em atitudes corretas, que visem a sua evolução espiritual e a do seu semelhante. Ele se conduz conforme sua consciência, independentemente de vir a ser ou não elogiado.

Uma palavra de louvor, de incentivo, é como um prêmio quando uma atitude é observada e entendida como correta e necessária num determinado momento, é como se fosse um apoio para a continuidade de uma determinada ação direcionada para o bem.

É, pois, fundamental elogiar educadamente, com palavras que representem bom senso e equilíbrio para que o elogio não pareça adulação Por outro lado, o agradecimento deve ser expressado no mesmo tom, mesmo diante do que possamos julgar ser um falso elogio ou bajulação. Uma palavra elogiosa pode esconder uma intenção demagógica, mas pode ser, também, uma expressão de simpatia.

Enfim, amigos, o que vale é ter bom senso, comedimento e equilíbrio, no cometimento de ações que envolvam o relacionamento entre os iguais, que somos todos nós habitantes humanos do planeta Terra.

Nossas atitudes, olhos nos olhos, indicarão se estamos certos ou se erramos ao tecer uma palavra de elogio revestida de carinho e compreensão, diante de uma boa ação voltada para o nosso bem pessoal ou para o bem comum. Para os nossos semelhantes façamos, sempre, o que de melhor pudermos fazer.

Julho 2012

 

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