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Benditas dificuldades

Paulo Freitas

As dificuldades na vida são de exclusiva responsabilidade do ser encarnado.

Não há escapatória, dia mais, dia menos, todos terão que enfrentar e solucionar seus problemas na vida física, posto que ao se recolher ao seu mundo de estágio não terá o ambiente deletério que predomina na Terra.

Dificuldades não se transferem e carecem de ser enfrentadas imediatamente, sob pena de atrasar o curso evolutivo, sejam de ordem material ou espiritual, que – na maioria das vezes – estão atreladas.

Ainda que o ser humano queira assumir os encargos de outro, as dificuldades não vão desaparecer. Quem ousar eximir alguém de suas dificuldades estará granjeando débitos também. Apoiar, ajudar alguém a se redimir e superar suas dificuldades é meritório. Substituí-las é reprovável.

Precisamos ter consciência de que ninguém está livre de ter dificuldades pela vida afora. No Universo, como na vida, tudo está organizado de tal modo que não há obstáculo insuperável. Pautando sua existência pelo bem, pelo que é correto e não produza sofrimento a ninguém (inclua-se o meio ambiente, com sua flora e fauna, que são igualmente campos de evolução), o ser minimiza bastante as dificuldades que terá.

Mas o que é dificuldade?

É algo relativo, dada a subjetividade que encerra, é a representação de tudo que é difícil. O que pode parecer difícil para uns, para outros seres não causam embaraços, do ponto de vista do mundo material. Nesse particular, recorremos uns aos outros, recompensados ou somos recompensados materialmente também. É na interpendência entre os seres que o indivíduo influencia e é influenciado pelo conjunto da sociedade como um todo. Querendo ou não o homem, esse Todo depende de um único indivíduo para existir, e vice-versa. Sem suas partes a sociedade, que é o Todo material, não existiria. Ninguém vem à Terra a passeio, todos têm um papel a empreender por mais padecedor ou meritório que seja.

Assim como as dificuldades são inerentes a todos, as soluções também estão organizadas na mesma proporção. Não há mal eterno nem felicidade infinita.

Só que os obstáculos na vida são necessários, imprescindíveis. Como apreciar a beleza de um dia de sol se não houvesse chuvas e tempestades? Então, benditas são as dificuldades que se interpõem em nossos caminhos. Convém que sejam enfrentadas imediatamente, não deixar para depois, pois isso somente prolongará sua tristeza e sofrimento.

Mascarando a dificuldade

Falei aqui que todos temos e haveremos de ter dificuldades na vida. Mesmo porque, a Terra é um plano de muitas batalhas. Quem estiver melhor preparado espiritualmente tem mais chances de superar os percalços de sua vida.

Mas existem os preguiçosos espirituais, aqueles que diante de qualquer dificuldade buscam jogar a culpa em alguém. É um modo de tentar fugir às suas responsabilidades, obstáculos que a vida na Terra impõe. Tola esperança de fazer alguém pagar pelo erro que você cometeu.

Sucede que responsabilidade não se transfere nem se delega (não confundir com obrigações materiais). De nada adianta culpar A ou B, culpar alguém, para fugir à responsabilidade pelos seus atos. Por mais evidente que outros tenham contribuído para sua responsabilização, cumpre responder por elas. Não é uma questão de querer, pois ninguém em sã consciência quer dificuldades, mas de força de vontade para superar os obstáculos.

As dificuldades são rigorosamente iguais, o que varia é a capacidade de cada um resolvê-las. Nesse particular, conta muito entender, apesar de uma vida de retidão e valor, dificuldades podem aparecer. São aqueles débitos pretéritos que deixam sem solução em outra vida.

Como aqui não há seres perfeitos, natural que erremos. O ser espiritualizado tem consciência de que necessita se esforçar desde já no sentido de solucionar os problemas que gerou na mesma existência como forma de não ensejar retorno à Terra com essa finalidade. Ninguém repara um erro, uma maldade. O que está feito não se modifica, é um débito que se contabiliza. Mas, se o espírito dá demonstração de que entendeu que errou e não o repetiu, ainda que muito “atentado” não necessitará reencarnar para resgatar esse débito, pois o terá feito na mesma existência.

Por isso não se pode deixar para depois o enfrentamento dos desafios e dificuldades numa existência, em especial os que nos tiram a paz e felicidade. É que superando-os tudo se restabelece e ajeita-se. Quanto mais se demorar mais distante ficará da paz. A dificuldade jamais desaparecerá de sua vida se não a enfrentar com coragem e valor.

Julho 2013 - O autor é jornalista profissional e militante da Filial Niterói do Racionalismo Cristão

 

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