No caminho da espiritualidade

Luiz de Souza

A verdadeira vida é espiritual, porque todos somos espíritos, inclusive a Força Criadora. A vida material é passageira, e serve, apenas, para ajudar a promover a evolução do espírito, até um certo grau; daí por diante, ele não precisa mais da matéria para prosseguir na sua rota ascendente.

Para que o desenvolvimento espiritual se processe, normalmente, é indispensável que se siga por uma linha condizente, se trace uma norma de vida pautada por princípios cristãos, e se delibere, proceder corretamente ou, melhor, de acordo com aquele plano previamente elaborado nas regiões dos mundos de luz.

Andar pelo caminho da espiritualidade é, pois, obedecer às leis naturais estabelecidas para a evolução do espírito, é pôr em prática, em cada instante, aqueles atos que se impõem pela sua natureza purificante, moralizadora e construtiva.

Todo ser humano normal, tem consciência do bem e do mal, do justo e do injusto, do que é correto e do incorreto. Há uma linha de separação entre os dois procedimentos, o da esquerda e o da direita, e ninguém vem ao mundo para operar o seu progresso espiritual, que não saiba distinguir, com os recursos próprios, a diferença destoante entre um e o outro caminho.

No reino animal inferior essa consciência não está devidamente despertada, mas no reino animal superior ou hominal, ela está presente, desde a primeira encarnação. A partícula da Inteligência Universal então se emancipa e assume a responsabilidade do governo próprio, ou seja a faculdade do uso do livre arbítrio, da qual não poderia fazer emprego acertado, se não tivesse a consciência adequada e suficientemente despertada.

Se assim não fosse, poder-se-ia admitir uma falha ou lacuna no planejamento da administração Astral Superior, o que seria um absurdo. Em verdade essa consciência está convenientemente alertada, para não descambar para o caminho oposto da esquerda, se o da direita for aqui considerado o caminho da espiritualidade.

Os que se degeneram degradam, arruínam, agem conscientemente, ou partem de um estado inicial consciente para depois se tornarem inconscientes, debaixo da influência deletéria de vícios, gozos materiais anestesiantes e fluidos perturbadores do astral inferior.

Em decorrência de um melhor uso do livre arbítrio, uns fazem a evolução espiritual muito mais rapidamente do que outros, por onde se vê que há caminhos mais curtos para atingir-se a meta, sendo esses os que mais se aproximam do rumo ideal, que é o caminho da espiritualidade.

Quanto mais espiritualizados forem os princípios norteantes da vida, tanto mais depressa serão alcançados os objetivos por todos aspirados, que se resumem na felicidade permanente, que só existe nos planos superiores.

Procurando estabelecer um caminho, uma rota que conduza ao pleno estado de evolução, forçoso se torna que cada um se disponha a enquadrar a sua conduta nos postulados cristãos.

O Racionalismo Cristão, no seu código de princípios, coordenou as linhas mestras dessa conduta, de maneira simples e acessível, para que sejam adotadas por todos aqueles que realmente desejam viver vida nova, e candidatar-se a ingressar em um outro plano mais elevado de evolução.

Os que aceitarem a idéia, devem seguir quanto antes pelo caminho da espiritualidade, esperando o autor que estas normas e sugestões possam ajudá-los a vencer as dificuldades porventura interpostas. Estes escritos nada poderão, entretanto, fazer se a criatura não se investir do firme propósito de abandonar os rançosos preconceitos da crença materialista. As recentes descobertas científicas estão dando ao século XX o nome de século da luz.

A Força Criadora mantém o Universo constituído na base da sua Ciência. As descobertas científicas que se fazem são o resultado da captação de vibrações do campo cósmico, feita por estudiosos que, com esforço, conquistaram essa faculdade receptora. A Força Criadora é Espírito Puro, na refinada acepção do vocábulo, e com ele está a vida espiritual absoluta. Pode-se concluir, deste modo, que a espiritualidade é a Vida Suprema, e os que enveredam pelo seu caminho hão de ser os que mais cedo alcançarão aquela plenitude.

Ninguém se deixará de encontrar, mais dia menos dia, mais século menos século, nesse caminho, porque a evolução é obrigatória, mesmo quando não seja espontânea. Uma vez que evoluir é melhorar, progredir, enriquecer espiritualmente, deve o indivíduo tomar o mais depressa possível o caminho da espiritualidade.

Este mundo, com os seus encantos naturais, poderia ser uma espécie de paraíso, se a humanidade se tivesse espiritualizado. As Forças Armadas, que consomem tão grande parte dos recursos de uma Nação, são mantidas, para ataque e defesa, por falta de espiritualidade, e todos aqueles valores humanos que se acham nas suas fileiras, mobilizados para atacar e defender em lides belicosas, preventivamente ou não, são subtraídos da vida civil, onde prestariam incalculáveis serviços no magistério, na administração, no desenvolvimento agrícola, industrial, científico e espiritual.

O fato de conceber-se a guerra como uma solução humana para dirimir divergências, representa um atestado vivo de mentalidade materialista e primária. Nenhum indivíduo possuído da convicção de que a marcha da vida deve ser processada pelo caminho da espiritualidade, admite, por um só instante, o massacre, a luta fratricida e a devastação dos lares como prática animalesca de atingir uma finalidade.

A necessidade de manter Forças Armadas, para exterminar o ser humano, destruir, arrasar, esfacelar a sociedade, levando o povo à miséria e à desgraça, só é concebível pelo reconhecimento do estado sumamente precário das coletividades, de onde saem os responsáveis por tais calamidades.

Se o cristianismo fosse adotado na sua forma verdadeira, as nações se uniriam num só bloco, para proclamar a desumanidade das guerras e a sua condenação pelos princípios humanos e espirituais. As nações que permanecessem armadas, deveriam ser consideradas mal intencionadas e agressoras em potencial, sujeitas a sanções, e submetidas a severas restrições. A força manejada em favor de uma paz apoiada por correntes espiritualistas, é invencível.

Forçoso é reconhecer que as próprias nações denominadas cristãs não se sentem animadas a tomar uma tal iniciativa, por não estarem profundamente imbuídas daquele sentimento puramente cristão, dos que palmilham pelo caminho da espiritualidade.

A unidade espiritual só se tornará uma força efetiva, se for real a sua concepção; não o sendo, como se verifica pelos fatos revelados por um mundo belicoso, egoísta, ganancioso, caracterizado por grande falta de honestidade e de fraternidade, os resultados serão as deploráveis desunião, desconfiança e prevenção que se manifestam por toda parte.

Pode-se afirmar, com toda a segurança, que no caminho da espiritualidade encontrarão todos os meios adequados para promover a evolução espiritual, com o que desaparecerá o instinto das guerras e revoluções, porque predominará o senso elevado da comunhão espiritual. A agressividade não terá então mais sentido, porque falará no indivíduo a idéia espiritual de confraternização.

Andar pelo caminho da espiritualidade é ganhar precioso tempo; é anteceder a chegada de dias bonançosos e bem-aventurados, que a todos encantarão. Vejam, os que gostam de meditar, se estão de acordo em levar a vida como aconselham os temas desta obra. Vale a pena fazer um esforço para isso. Todos estes preceitos que aqui estão foram colecionados para uso do ser humano, nas suas lides cotidianas.

Agir mal ou agir bem dá equivalente gasto de energias e consome, por bem dizer, o mesmo tempo. Nenhuma justificativa se apresenta favorável à prática do mal; ao contrário, só há desvantagens a enumerar. Diz a sabedoria popular que se o velhaco soubesse o quanto perde em ser velhaco, até por velhacaria deixaria de o ser.

Isto é o reflexo de uma verdade que se ajusta a todos os casos em que imperam o erro e a maldade. Pela lei do retorno, ou de causa e efeito, os males praticados voltam para o seu autor, grandemente majorados. Fujam, pois, dessa vereda enganosa e traiçoeira, onde todos os que por ela seguem saem depois surrados, maltratados e moralmente abatidos.

Estão abrigados desse risco de mal se encaminharem pela vida os que aceitarem, de bom grado, estas sugestões, pondo-as em prática em cada dia, com entendimento.

Pode parecer difícil, à primeira vista, abandonar hábitos reprováveis e arraigados, de uma só vez, mas se esse abandono for feito parceladamente, e aos poucos, tudo se resolverá satisfatoriamente. É indispensável, porém, que se comece a fazer alguma coisa nesse sentido, tomando-se a iniciativa de terminar com tudo que prejudique, ofenda e atrase.

No caminho da espiritualidade, há com que empregar bem o tempo; quem tiver as horas tomadas com ocupações e pensamentos úteis, estará, automaticamente, fechado aos assaltos perigosos dos maus elementos.

Todos têm de meditar, constantemente, nos assuntos que digam respeito ao modo correto de agir. O que se procura, com as exposições deste livro, é trazer à tona, para melhor apreciação, problemas da vida, comuns à maioria, com o fim de fazer incidir sobre eles a atenção. Por este meio, mais fácil é reconhecer as falhas ocultas nas dobras do convencionalismo, para combatê-las energicamente. O que muito se deseja no Racionalismo Cristão é facilitar a compreensão dos deveres espirituais, para que se possa chegar a estabelecer na Terra um clima mais favorável à vida, em que todos, pela abolição de uma soma considerável de sofrimentos desnecessários, se sintam felizes.

Isto é perfeitamente possível, por estar ao alcance de todos, dependendo, apenas, de uma decisão, quando não forem muitos os fatores negativos que pesem sobre as criaturas. Estas também não estão impedidas de dar um passo à frente, a fim de se prepararem para melhores dias.

O mais doloroso é saber-se que há numerosos indivíduos suficientemente desenvolvidos para galgar posições elevadas no plano espiritual e que, por negligência, se entregam a procedimentos condenáveis. Entretanto, se tomassem o caminho da espiritualidade, encontrariam e estariam valorizando os seus dotes morais.

Há coisas simples de serem compreendidas e sentidas, mas para muitos é preciso que alguém as aponte, as focalize, as vivifique, a fim de que os seus traços fiquem melhor definidos. Assim se dá com os assuntos aqui tratados, que se revelam simples e acessíveis à compreensão comum e recebem, nesta apresentação, para os que precisam, o colorido da afirmação cristã, nos painéis da espiritualidade. 

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